Antes de ser uma proposta educacional, a Educação Cristã Clássica propõe uma visão de mundo.Para Dooyeweerd, filósofo cristão holandês, o homem é um ser religioso por natureza. Por isso seu coração, o centro de processamento religioso, busca inquieto por um absoluto, ao qual possa render culto e servir. Segundo ele o ser humano está distante de Deus por seu desejo de independência em relação a seus padrões (Rm 3.11-12) e a busca pela autonomia do pensamento humano (Gn 3.1-21). Sendo assim, ao negar servir a Deus, o homem passa a basear sua vida em um elemento criado, preso ao tempo e ao espaço e, portanto, cai em um reducionismo filosófico (Rm 1.21-23).

Na educação esse reducionismo expressa-se sobre dois eixos: as pedagogias da autonomia e as pedagogias heterônomas. Esse dualismo que busca por uma educação eficiente sem sucesso pode ser percebido historicamente.

Os reformadores claramente se opunham à heteronômica católico-romana advogando a liberdade de consciência, o livre exame das Escrituras, e estimulando a pesquisa científica. A Academia de Genebra fundada por Calvino é um exemplo eloquente do interesse reformado pela educação. Calvino, especificamente, não admitia que a religião pudesse se limitar às práticas eclesiais. Para ele todas as atividades humanas deveriam ser para a glória de Deus, mesmo que não fossem “sacras”. Uma posição nem autonômica, nem heteronômica, mas teonômica. (CARVALHO, 2008)

Apenas através de uma proposta que contemple a eternidade e se dobre à verdade que o homem é realmente capaz de alcançar toda a sua potencialidade.

Foi sobre esse alicerce que um empreendimento educacional, conhecido como paideia, foi iniciado por Platão. Visão educacional que permaneceu normativa por 2.200 anos, ao florescer sob os romanos e depois na cristandade até meados do século XIX (TURLEY, 2018, p.16). Paideia via o aluno como alguém dotado de um propósito que se estabelecia adequadamente e harmonicamente com toda a realidade à medida que era reconhecido, compreendido e exercitado. O aluno que se encontrava com esse propósito desenvolvia sua potência e alcançava a Eudaimonia, a alegria verdadeira. Na Paideia o logos, ou quinta essência, era o princípio unificador de todas as coisas, não apenas a razão, mas o que trazia a existência, o significado e propósito. O Logos estabelece ordem. Heráclito diz que “É sábio que os que ouviram, não a mim, mas ao LOGOS, reconheçam que todas as coisas são um”.

Ao buscar na Bíblia bases para sua proposta educacional, o cristianismo aponta para esses conceitos mudando o eixo de articulação e trazendo pessoalidade ao Logos, identificando-o como sendo o próprio Jesus Cristo, como afirma o próprio João em seu evangelho (Jo 1:1).

Portanto, a Educação Cristã Clássica visa conduzir o aluno na compreensão de sua vocação dentro do plano eterno de Deus, para que ele desfrute de plenitude. E isso só é possível quando sua vida e paixões são ordenadas pelo Logos divino.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *